Queridos irmãos e irmãs, a nossa realidade humana é marcada pela luta: luta entre a luz e as trevas, luta contra o pecado, luta contra o mal.
Como dizia o apóstolo São Paulo, muitas vezes queremos fazer o bem, mas acabamos fazendo o mal que não desejamos. Essa é a nossa realidade humana. Por isso, nós precisamos de luz, precisamos acolher a luz de Deus, que é o próprio Cristo.
É isso que estamos celebrando neste Natal do Senhor. Eu gostaria de refletir sobre alguns versículos do Evangelho que acabamos de ouvir, quando diz: “A Palavra se fez carne e habitou entre nós.”
Queridos irmãos e irmãs, isso não é apenas uma afirmação; é uma verdade. A fé cristã não é apenas um conjunto de doutrinas ou palavras que repetimos. A fé cristã é uma experiência de encontro com Deus, um Deus encarnado, um Deus que se fez pessoa: Jesus Cristo.
Por isso, o evangelista nos recorda que a Palavra de Deus se fez carne. A partir do mistério da Encarnação, precisamos compreender que Deus é espírito, é imenso, é grande. Durante muito tempo, o ser humano via Deus como alguém distante, quase inalcançável. Mas Deus quis se aproximar de nós e se fez um de nós em Jesus Cristo.
Essa é a nossa alegria: Deus tem um rosto humano. Nós podemos conhecer, tocar e experimentar Deus em Jesus Cristo, o Menino Jesus. Se quisermos conhecer Deus, precisamos aprender a conhecer Jesus Cristo. É isso que ouvimos também na segunda leitura: em Jesus, Deus se fez próximo de cada um de nós.
Muitas vezes, quando sofremos, quando enfrentamos dores ou situações difíceis, acreditamos que Deus se afastou da nossa vida. Mas não é verdade. Desde que Deus se encarnou em Jesus Cristo, Ele nunca mais se afastou de nós. Somos nós que, às vezes, nos afastamos d’Ele. Deus permanece conosco, caminha conosco, luta conosco e sofre conosco.
Essa é a beleza da fé cristã: experimentar Deus em todas as situações da vida — no trabalho, na família, na vida profissional, em todas as realidades humanas — e reconhecer que Deus caminha conosco. Ele se levanta conosco, luta conosco e sofre conosco.
Isso muda completamente a nossa compreensão de Deus. Deus não está longe; Ele está próximo. Por isso, o Evangelho nos recorda: “A Palavra de Deus habitou entre nós.” E na liturgia proclamamos: “O Senhor esteja convosco” — Ele está no meio de nós. Isso não é apenas uma afirmação litúrgica; é uma realidade. Ele está conosco porque se fez carne e se encarnou.
Que coisa bela! Para encontrar Deus, basta abrir o coração a Jesus. Encontrar-se com Deus é encontrar-se com Jesus Cristo. Jesus é o rosto humano de Deus, a misericórdia de Deus, a presença viva de Deus.
Por isso, a Eucaristia que celebramos é a presença real de Jesus Cristo. Deus está presente no mundo e acompanha o nosso caminho, mesmo quando atravessamos situações difíceis. A vida é marcada pela luta, mas também é sustentada pela graça de Deus.
Outro versículo do Evangelho de hoje nos diz: “Ninguém jamais viu a Deus.” Muitas pessoas falaram de Deus ao longo da história. No Antigo Testamento, os profetas falavam em nome de Deus, mas uma coisa é falar em nome de Deus e outra é conhecer aquele de quem se fala. Os profetas não viram Deus. Quem nos deu a conhecer Deus foi Jesus, o Filho unigênito, que está junto do Pai.
Por isso, queridos irmãos, é importante lembrar que a fé cristã não se reduz apenas a práticas devocionais. Elas são importantes, mas o centro da fé é a Palavra de Deus. Que neste Natal a Palavra de Deus tenha espaço em nosso coração e em nossa vida.
É triste passar os dias apenas rezando devoções e não ler, nem meditar o Evangelho. Como dizia São Jerônimo: “O desconhecimento da Palavra de Deus é o desconhecimento de Cristo.” Se queremos conhecer Jesus, precisamos conhecer a Palavra de Deus, especialmente nos Evangelhos, que narram sua vida, suas palavras e suas ações.
Por fim, o Evangelho nos recorda: “A Lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.” A partir da Encarnação, entramos no tempo da graça. Tudo é graça: a vida é graça, o trabalho é graça, a família é graça. Não se trata de merecimento, mas de acolher o amor gratuito de Deus.
Para experimentar essa graça, basta abrir o coração, confiar e ter fé. Deus conhece o nosso coração e nos ama. Celebrar o Natal do Senhor é lembrar que Deus é amor e que, por amor, Ele nos deu o seu Filho.
Pelo Batismo, todos nós nos tornamos filhos e filhas de Deus. Que possamos compreender cada vez mais e melhor o que significa ser filhos de Deus.
Pe. Christophe Mendy, sss, na homilia da Celebração Eucarística do dia 25/12/2025.