De onde vem a tradição e por que cobrir as imagens no final do tempo da Quaresma?

Santuário Arquidiocesano de Adoração

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De onde vem a tradição e por que cobrir as imagens no final do tempo da Quaresma?

O Missal Romano promulgado pelo Papa São Pio V em 1570 é a base da liturgia tradicional utilizada pela Igreja Católica durante séculos antes da reforma do Concílio Vaticano II (1962-1965). Conhecido como Missal Tridentino ou “Missa de Sempre”, ele padronizou ritos antigos no pós-Concílio de Trento. A última edição típica deste missal, antes das reformas de Paulo VI, é a de 1962, promulgada pelo Beato Papa João XXIII.

Antes da reforma litúrgica do Conc. Vaticano II, era obrigatório cobrir com véus roxos todas as cruzes e imagens expostas ao culto nas igrejas. No Missal Romano de S. Pio V, o quinto domingo da Quaresma não existia, ele era chamado de primeiro domingo da Paixão. Então tinha o primeiro domingo da Paixão e depois o domingo de Ramos era o segundo domingo da Paixão. Este missal orientava que terminada a Missa do Sábado, que precedia o Domingo da Paixão (atual V Domingo da Quaresma), vinha esta rubrica:

“Antes das Vésperas, cobrem-se as Cruzes e Imagens que haja na igreja. As Cruzes permanecem cobertas até ao fim da adoração da Cruz, na Sexta-Feira Santa, e as Imagens até ao Hino dos Anjos (Glória a Deus nas Alturas) no Sábado Santo”.

Vê-se que era um costume, através do qual se desejava centrar a atenção dos fiéis no Mistério da Paixão do Senhor. Tudo o que pudesse desviá-la, como eram as imagens dos Santos, cobria-se.

As normas litúrgicas atuais, segundo rubrica do Missal Romano de Paulo VI, dizem que depois da Missa do Sábado anterior ao V Domingo da Quaresma:

O costume de cobrir as cruzes e as imagens das igrejas pode conservar-se, conforme o parecer da Conferência Episcopal. As cruzes permanecem cobertas até ao fim da celebração da Paixão do Senhor, na Sexta-‑Feira Santa; as imagens, até ao começo da Vigília Pascal (cf. Missal Romano atual [Ed. do Altar], p. 206.)

O Concílio Vaticano II e sua reforma litúrgica quiseram resgatar uma antiga prática da Igreja quanto aos escrutínios das pessoas que vão ser batizadas na noite de Páscoa. Havia os três escrutínios e o terceiro terminava exatamente no quinto domingo da Quaresma. Assim, o quinto domingo passou a ser chamado quinto domingo da Quaresma, onde se pode ler o evangelho da Ressurreição de Lázaro, que é o evangelho desse escrutínio, e continua com o prefácio da Quaresma. No entanto, na segunda-feira seguinte a rubrica no Missal já orienta que a partir da segunda-feira se lê o prefácio da Paixão do Senhor e se continua aquilo que era a tradição que já havia no Missal anterior. Assim, as leituras são todas tiradas do evangelho de São João, onde é narrado o conflito de Jesus com os chefes dos judeus. Esse conflito vai num crescente até que, finalmente, Ele é condenado à morte, e isso nós celebramos no domingo de Ramos e da Paixão do Senhor.

Pastoral Litúrgica do Santuário Arquidiocesano de Adoração e Paróquia de São Benedito

Fontes:
Missal Romano de São Pio V e Missal Romano de São Paulo VI
https://padrepauloricardo.org

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